“Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.”

Carlos Drummond de Andrade

 

Nada de especial, em ouvir lamentos perante uma ou outra adversidade…

Nada de especial, na vitimização  que surge após uma quantidade significativa de infortúnios…

Nada de especial, na queixa e auto comiseração…

Desde que… devidamente sensatas e equilibradas!

O ser humano, queixa-se, lamenta-se, insurge-se contra a injustiça, revolta-se, chora, grita, duvida, etc… Mas tem também, a fantástica capacidade de se erguer, de agarrar a vida com fulgor, de renascer das cinzas, todas as vezes que forem necessárias!

Ou…

Será esse, um estado de alma, presente em apenas alguns afortunados? Existirá essa competência, dentro de alguns em detrimento de outros, fracos e desprovidos de atitude e coragem, que apenas tremem as pernas, ao invés de caminhar seguros em frente, porque não se pode permanecer no mesmo lugar?! 

Somos feitos de diferentes matérias, mas temos todos ao nosso alcance, as ferramentas e recursos necessários á mudança! Esta, far-se-á por impulso ou gradualmente, dependendo das circunstâncias, motivação, decisão e/ou coragem, mas… é imperativa!

Se assim não acontecer, a pessoa será vitima… dela própria!

“A vida contrai-se e expande-se proporcionalmente à coragem do indivíduo”   Anais Nin

Pintura de Salvador Dali, editada a preto e branco

 

“ ”Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!”

José Régio

 

F* a convenção, presunção e a religião

F* a aparência, incongruência e a maledicência

F* a intolerância, ganância e a arrogância

F* o racismo, histerismo e o oportunismo

F* a ruindade, falsidade e mediocridade

 

 

De um trago apenas, sorvo o ar que me sopras

Estico a mão, teço a teia e lanço-a a ti

Trepo pelo teu corpo, indiferente aos protestos…

Não me importo!

Emaranho-te no viscoso dos laços e prendo-te!

Sou predadora porque és caça vulnerável…

Sem esforço, alcanço-te…

Mas… não te quero!

 

 

*Coração em crioulo

 

180º

 

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

Pablo Neruda

Rua Sésamo

 

 

A Rua Sésamo faz  anos!

O Poupas e C& da minha infância, cujas aventuras acompanhava religiosamente, estão de parabéns! 

Já um pouco remota na minha memória, esta noticía trouxe-me, no entanto, um doce revivalismo…

Skunk Anansie – Brazen (Weep)

nuvens

Por vezes sinto-me assim…

A caminhar em nuvens azuis e brancas sob prados verdes em montes alentejanos…

Só ás vezes…

Qual lirismo romântico, porém estéril, mas que  me suscita altos voos…

Correntes

 

“O primeiro grau do heroísmo é vencer o medo ”  G.P.Bona

“É melhor sofrer o pior agora do que viver no eterno medo dele” Júlio César 

being bored 

 

A pseudo-perfeição que serve de alvitre para a colocação de textos e afins em blogues, entedia-me de morte!

Deve ser da idade! Depois dos 30, há mais dificuldade e menos pachorra, para blá, blá, blás sem substância nem constância!

Boring!…

 

cegueira

 

 

Cada vez mais convencida,  que não conhecemos bem as pessoas no prólogo mas nos últimos capítulos, pergunto-me, porque tendencialmente somos tentados a evidenciar o melhor de nós, mascarando ou mesmo escondendo, o nosso lado lunar…

Quando nos apaixonamos, a sedução baralha-nos os sentidos e se a pessoa exercer realmente um fascínio sobre nós, não vislumbramos os detalhes, nem observamos com real discernimento alguns sinais. Eles estão lá, mais ou menos velados, defronte do nosso olhar, prontos para serem reconhecidos… mas… se o click for accionado, não será um olhar mais hábil ou diligente, o detentor da capacidade de enviar um alerta ao cérebro, de forma a evitar o deslumbramento inerente ao encanto que a pessoa nos transmitiu!

O amor não é robótico! O amor não possui dispositivos on-off que possamos utilizar a nosso bel-prazer! O amor não é matéria! O amor não é dirigível!

O amor é psicossomático! O amor é pessoal e intransmissível!  O amor é incontrolável! O amor transcende todas as definições!

ying yang

 

 

Há pessoas, que deviam ser admoestadas, por conduzirem a vida com excesso de velocidade!

Há outras, que mereciam uma coima, por quase adormecerem ao volante da vida…

A carta

 

“Chega sempre a hora em que não basta apenas protestar: após a filosofia, a acção é indispensável ” – Victor Hugo

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     Soprei a lágrima incandescente que me sucumbia aos poucos

     Rasguei o soneto de sangue que trazia ao peito

     Limpei a música diáfana de falsas auroras vestida

     E agora… enterro a amargura velada, de promessas estreitas!

 

 

“As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir…”

orquidea

 

Quase diariamente, despedi-me… Devagar, com o coração partido, triste mas conformada

Quando me disseram que tinhas partido, tive uma reacção estranha, quase insípida, quase desnuda de sentimento

Depois… depois, apercebi-me que o adeus seria para sempre, não te voltaria a ver!

O meu egoísmo quer-te aqui! A minha razão deixa-te ir…

Conheço-te desde sempre… Dentro de mim, viverás para sempre!

Deixas-me na memória a tua força de vontade, a garra de viver, os silêncios prolongados e o olhar perscrutador, mas doce… Deixas-me no ouvido as palavras duras de quem me quer bem… Deixas-me tanto, que tenho dificuldade em te deixar ir… mas, vai… porque aqui, junto a mim, ocupas uma segunda cadeira, neste espaço intimo e sagrado que só a mim pertence!

Lamento não te ter dito, nunca, o que significavas para mim! Tenho esta dificuldade, desculpa! Mas significavas tanto! Tanto…Por isso me dói profundamente, por isso chorei copiosamente a tua partida, por isso ainda me ocorrem lágrimas quando me lembro que te apartaste…

Prometo, que tentarei apenas pensar nos risos e brincadeiras, nos almoços e festas, na companhia que tanta saudade me faz… prometo, que tentarei apenas pensar nos momentos bons…

Lembrar-me-ei de ti… sempre…