
Recentemente, vi uma reportagem numa televisão nacional, a propósito de um “estudo”para verificar a necessidade de se criarem centros de cuidados paliativos para crianças. Os entrevistados, (especialistas de pediatria em várias valências) uniram vozes para deixar claro, que assim como nos adultos, há crianças com doenças raras, genéticas e/ou degenerativas, que merecem e devem receber cuidados suplementares, prestados por equipas multi-disciplinares, que lhes faculte alguma qualidade de vida e o controlo da dor, (porque muitos deles têm dor agonizante) enquanto lutam pela vida…
Até que, a/o jornalista afirma que o director clínico do Hospital Pediátrico de Coimbra (cujos funcionários, na sua maioria, merecem todo o meu respeito) se escusou de dar entrevista, não deixando porém, de dizer o seguinte;” Não vejo necessidade de cuidados paliativos para crianças, pois estas, ou curam-se ou morrem”.
Ora eu, que fiquei estarrecida a olhar para a televisão, acho que depois disto, afirmado por alguém que gere um hospital pediátrico, cujo interesse maior deve ser o empenho e esmero nos cuidados e tratamentos prestados aos utentes, fico confusa… Não sei me apetece despoletar a minha melhor(pior) faceta de psicopata, se me apetece fugir… Mixed feelings…
Aparentemente, para este senhor, se a criança não se cura nem morre, deve ser ignorada… azar o dela… Nada de meio-termo! Nada de desempenhar o nosso papel de cidadãos e/ou governo e utilizar o dinheiro que pagamos de impostos da melhor forma! Nada disso! Deve ser sujeita á nossa (deles, dos que pensam de igual forma) indiferença e aguardar pacientemente, pois claro, que a morte a acerque, depois de ter sofrido, física e psicologicamente durante todo o penoso processo!
Se acreditasse num Deus todo-poderoso, diria: Ele castiga! E castigar-te-á cá na terra!
Não é uma previsão, é um desejo!