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Arquivos por Categoria: Estados de espiríto
“As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir…”
Parte-se o bule, derrama-se o líquido, inala-se a fragrância que ferve e limpam-se os fragmentos quentes espalhados no ocaso.
No alvor, fita-se o brilho de uma ametista em bruto e inicia-se o arrife no trilho difícil que se avizinha.
Tropeçando aqui e ali, avança-se hesitante na sombra do bem e do mal, colhendo suores cansados e risos perdidos.
Depois de encetada a caminhada numa vereda estreita, não há recuo passível de se considerar; ou se segue incólume de pensamentos trôpegos e sem vigor ou, a silhueta de um plano tangível mancha o percurso, oferecendo angústias ao indolente peregrino.
“Leve, como uma coisa que começasse, a maresia da brisa pairou sobre o Tejo e espalhou-se sujamente pelos princípios da Baixa. Nauseava frescamente, num torpor frio de mar morto. Senti a vida no estômago, e o olfacto tornou-se-me uma coisa por detrás dos olhos. Altas, pousavam em nada nuvens ralas, rolos, num cinzento a desmoronar-se para branco falso. A atmosfera era de uma ameaça de céu cobarde, como a de uma trovoada inaudível, feita de ar somente.
Havia estagnação no próprio voo das gaivotas; pareciam coisas mais leves que o ar, deixadas nele por alguém. Nada abafava. A tarde caía num desassossego nosso; o ar refrescava intermitentemente.
Pobres das esperanças que tenho tido, saídas da vida que tenho tido de ter! São como esta hora e este ar, névoas sem névoa, alinhavos rotos de tormenta falsa. Tenho vontade de gritar, para acabar com a paisagem e a meditação. Mas há maresia no meu propósito, e a baixa-mar em mim deixou descoberto o negrume lodoso que está ali fora e não vejo senão pelo cheiro.
Tanta inconsequência em querer bastar-me! Tanta consciência sarcástica das sensações supostas! Tanto enredo da alma com as sensações, dos pensamentos com o ar e o rio, para dizer que me dói a vida no olfacto e na consciência, para não saber dizer, como na frase simples e ampla do livro de Job, “Minha alma está cansada de minha vida!”"
in Livro do Desassossego, Bernardo Soares ( het.Fernando Pessoa)
Sempre me fez confusão, porque raio a noite e o dia me fazem ter ideias tão opostas e contraditórias!
Se à noite julgo que farei isto e aquilo, na manhã seguinte tudo se desvanece dando lugar aos habituais mixed feelings, e por consequência, o que decidi passa de um estado coerente e sóbrio para alarmista e radical!
Hoje de manhã, lamento que alguns organismos públicos encerrem durante a noite!
Gostava de acordar e perceber que o jogo avançou para o patamar seguinte…
Gostava de ser como o Super Mário, que na luta com os dragões e suas bolas de fogo, parte os tijolos, pula os muros, ganha vidas extras e passa de nível…
A luta de David contra Golias!
Lamento bastante, ver sofrer quem gosto. Perceber que não se trata de fingimento; que é um sofrer real, dilacerante, e que devagarinho as trevas se apossaram da sua mente, não permitindo qualquer raio de lucidez e discernimento atravessar o seu espírito! Perceber que a avalanche emocional que a pessoa vive se despoletou por minha causa/efeito!
Simultaneamente tenho noção, que provavelmente a maioria das pessoas não se compadecia com os comportamentos/consequências de que tenho sido alvo, no entanto toda a paciência, que julgo esgotar-se amanhã, tem ajudado a suportar…
Aguardo ansiosa pelo dia, em que tudo isto me parecerá longínquo… Almejo o dia, que perceberei que tão cruéis emoções se desvaneceram, dando lugar a uma cordial convivência ( a preservar por uma razão MAIOR)…
Um palmo á frente do meu nariz, para que o seu odor não se apague na minha memória, está esse dia…
“Quem sabe eu ainda sou uma garotinha
Esperando o ônibus da escola sozinha
Cansada com minhas meias três quartos
Rezando baixo pelos cantos
Por ser uma menina má
Quem sabe o príncipe virou um chato
Que vive dando no meu saco
Quem sabe a vida é não sonhar”
Cassia Eller, cuja vida foi percorrida com intensidade… cuja ausência faz sentir saudades…









