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Monthly Archives: Março 2009

voarrr

 

Falham-me as forças,

Falta-me o ar,

Ocorre-me um choro estéril e pálido…

Agarro-me com força para não pender, mas dobro os joelhos de cansaço.

Sinto a alma aos tombos e o coração em desalinho

Na mente… feras e monstros em voragem constante

Nos braços carrego o mundo e, os ombros lassos curvam insípidos…

Durante anos dormi á sombra… Hibernei numa caverna escura, com abnegação e lá permaneci…

Embrulhei-me na estupidez de me esquecer de mim, supri todas a falhas com a desculpa de não ser capaz, dizendo claramente que era mais forte que eu! Mais forte que a minha essência…

Como é que isso aconteceu? Quando aconteceu? Onde estava eu que não vi?

Hoje olho para trás e não percebo… Procuro explicar e não consigo!

Onde andei eu, este tempo todo? Onde me escondi? …

Se gritar bem alto, será que me ouço?…

O resgate de mim, não admite mais delongas, a natureza é mesmo assim…urge!

O vício dissipa-se numa aurora de açucenas cautelosas…

 O corpo despoja-se da mortalha fria e, enfrenta a tempestade…

Agora é tempo de redenção! Busco o vigor e a força escondidos, carrego-os nos ombros e estendo-os ao sol… Esse mesmo sol que me sujeitou à sombra, agora empresta-me esperanças diáfanas…

Vou tomar caipirinhas com os pés debaixo de água! Vou sacudir os cabelos na brisa do mar… Vou estender-me na relva como se não houvesse amanhã e trepar ao cume sem olhar para trás…

Vou entrar na caverna, erigir meu bastão de vontades e… ser feliz noutro destino qualquer…

… E o Grito do Ipiranga chegou!…

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Sou apaixonada por arquitecturas antigas …

 

Quando contemplo uma velha casa apetece-me entrar, explorar, desenhar os seus contornos e conceber cenários…

Adoro casas tipo coloniais, com alpendres extensos, acolhedores, que convidam a preguiça a sentar-se…

Gosto de apreciar as janelas emolduradas por pedras gastas, e imaginar rostos espreitando o entardecer…

Olho os seus jardins nus e tento voltar atrás… numa pintura preto e branco fantasio-os relvados, floridos e vibrantes…

 

Salto os muros altos da minha imaginação, percorro caminhos de folhas secas e invariavelmente projecto!

Desenho com fervor reconstruções, tapo frestas, paredes e vidros partidos e voo por telhados novos… Coloco a mobília no sítio, e um cheiro a café no ar…

 

Admiro a sorrir o desejo que fabrico, e nem percebo que, como a areia fina da praia, me cai por entre os dedos das mãos…  

Sem lamentos nem arrependimentos, agarro no lápis que a utopia me emprestou e guardo-o no bolso…

Sei que irei precisar dos seus riscos tortos no futuro…

 

 

 

 

 

escolhasi

 

 

 

Mudar é sentir

Mudar é agir, mesmo que doa!

Sacudir a poeira acumulada…

Mudar é fazer luto, chorar e por vezes duvidar

 

A mudança pode advir de um estado de espírito, nem sempre benévolo e indolente, que fica à espreita…

 

Uma existência trôpega e subserviente ao conformismo, é a crónica de uma morte anunciada, se se instalar num ser humano outrora vigilante.

 

A mudança é isso mesmo! É o terminu! É o passo em frente…  

 

… Alguns de nós, mais renitentes que outros, com mais ou menos coragem, mas que num rompante decidem! E num rompante porque o desígnio, esse, esteve sempre lá… A expectativa e a esperança corrompem a vontade de mudar e, obrigam-nos a permanecer em puro estado vegetativo, quando temos consciência do que há a fazer… Quando várias conjunturas se aliam e estendem os seus tentáculos, o adormecimento é mais prolongado, mas nem por isso, menos promitente. É a necessidade de resgatar a identidade que foi esquecida e, escondida num canto qualquer, que nos força à mudança, que nos desperta e no fundo, nos oferece a energia necessária a uma acção!

 

Thomas Mann  disse; “Trago em mim o germe, o início, a possibilidade para todas as capacidades e confirmações do mundo” , e eu descobri que assim é… Para que isso fosse possível, impeli-me a despertar…

 

Só depois acreditei…

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Sensações avulsas

Constantes ou…

Volúveis

Apelos externos, possantes, aliados

Alguém diz “crê”! E eu creio!

Creio ser capaz

E serei!

 

Fui Ente errante,

Residente da utopia

Crente

Entorpecido…

 

De quimeras me alimentei

Sorvi com fervor as palavras

Usurpei-as,

Tornando-as minhas!

 

Agora, a neblina dissipa-se…

O despertar surge!

E, a mágoa matinal

De mansinho me acerca

 

Espreito…

Nada vejo!

Luz, mapas ou tesouros!

 

No escuro procuro-me

E nada vejo!

Fulgores, caminhos ou graças!

 

Não obstante, Irei!

Porque aqui não posso ficar!

 

 

 

 

 

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A vontade dúbia que me arrasta,

A inércia que me amarra,

São guerras que se travam…

São orgias avulsas descontroladas…

 

Os conflitos de sentimentos que me assolam, de quando em vez, após uma análise profunda e à posteriori, não passam de hélices que ceifam o ar ao acaso…  São emoções castradoras, que me inibem e, me empurram em simultâneo…  São sombras e são o sol, são a noite e o dia, são Deus e o Diabo…

Querer saber o que fazer a seguir, querer decidir com coerência e discernimento, querer dormir sem turbulência, querer respirar livremente…

Frases soltas… tão soltas, como estes devaneios sem princípio nem fim…

Pensamentos livres… tão livres como sair á rua e, absorver o vento de uma só vez…

Vontade de ser feliz!…

Limpar o pó de anos partidos…

Qual Fénix, renascer das cinzas…

 

 

 

Obs.: Talvez um dia, daqui a muito, muito tempo, consiga dizer o que estas linhas escondem de uma forma clara e coerente… Talvez um dia, estas linhas façam sentido…

 

Pai

 

 

 

Ter um Pai ! É ter na vida

Uma luz por entre escolhos ;

É ter dois olhos no mundo

Que vêem pelos nossos olhos !

 

Ter um Pai ! Um coração

Que apenas amor encerra,

É ver Deus, no mundo vil,

É ter os céus cá na terra !

 

Ter um Pai ! Nunca se perde

Aquela santa afeição,

Sempre a mesma, quer o filho

Seja um santo ou um ladrão ;

 

Talvez maior, sendo infame

O filho que é desprezado

Pelo mundo ; pois um Pai

Perdoa ao mais desgraçado !

 

Ter um Pai ! Um santo orgulho

Pró coração que lhe quer

Um orgulho que não cabe

Num coração de mulher !

 

Embora ele seja imenso

Vogando pelo ideal,

O coração que me deste

Ó Pai bondoso é leal !

 

Ter um Pai ! Doce poema

Dum sonho bendito e santo

Nestas letras pequeninas,

Astros dum céu todo encanto !

 

Ter um Pai ! Os órfãozinhos

Não conhecem este amor !

Por mo fazer conhecer,

Bendito seja o Senhor !

                                                     FLORBELA ESPANCA

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De cigarro na mão, caminho por uma estrada velha, trajada com folhas de Outono

Óculos de sol ao peito (recorro a eles um pouco mais à frente, quando o sol me ofusca os pensamentos)

Pouso o meu corpo cansado, na sombra de um carvalho centenário e, aguardo pela companhia, que me traz um velho amigo

De manta na mão ele chega! Traz memórias na ponta da língua e, falamos de temas mornos, cobiçando a preguiça

Entregamo-nos à inércia…  

Os sons das cigarras apelam o nosso despertar

Fumo mais um cigarro e, reparo que o fumo se mistura, com a melodia do entardecer

Arranco a melancolia  do peito e, permaneço em pleno ócio, à sombra de um carvalho velho

                               

                                ——————————————–

Gosto de conversas que me estimulem intelectualmente, eloquentes, enfáticas, carregadinhas de emoção…

Gosto que me obriguem a retorquir, com o mesmo arrebatamento.

Gosto de mesas de café, repletas de argumentos, de quem sabe do que fala, xícaras de chá que se vão esvaziando, à medida que a conversa se enche de riquezas partilhadas.

 Faz-me impressão quem fala do que não sabe, utilizando retóricas ocas,  baseadas certamente em discursos empolados, de quem um dia falou com conhecimento… Quando assim é, remeto-me ao silêncio, muitas vezes, ruminando as ideias e, evitando verbalizar o que me vai na alma, até para evitar ofender ou melindrar tão loquaz interlocutor…

Não tenho pretensão de dizer, que, sou mais capaz que outros para defender as matérias que saltam para discussão, muito pelo contrário… Apenas deixar claro, que quando o tema não é familiar, o silêncio é mais construtivo do que um rol de incongruências,  ventiladas por um pseudo-conhecedor…

 Gosto de conversas á sombra…

 

 

Something… to write about…

Something… to learn about…

 

Porque os passos que dei, até aqui me conduziram, e porque o caminho que percorri era incontornável…