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Monthly Archives: Agosto 2009

 

 

fragmentos

 

 

Parte-se o bule, derrama-se o líquido, inala-se a fragrância que ferve e limpam-se os fragmentos quentes espalhados no ocaso.

No alvor, fita-se o brilho de uma ametista em bruto e inicia-se o arrife no trilho difícil que se avizinha.

Tropeçando aqui e ali, avança-se hesitante na sombra do bem e do mal, colhendo suores cansados e risos perdidos.

Depois de encetada a caminhada numa vereda estreita, não há recuo passível de se considerar; ou se segue incólume de pensamentos trôpegos e sem vigor ou, a silhueta de um plano tangível mancha o percurso, oferecendo angústias ao indolente peregrino.

raul solnado

 

Morreu um homem admirável!

Raúl Solnado, um artista ímpar, piadista com classe e intemporal (vide A guerra),  um peso-pesado no nosso, pequenino, universo artístico. Fiquei triste, como sempre fico, quando morrem pessoas assim… Não o conhecendo pessoalmente, respeito-o e admiro-o pela pessoa boa que acredito ter sido, pela eterna criança de olhos brilhantes e sorriso infantil que contagiava todos e pela generosidade que lhe apontam, como sendo seu apanágio!

Dizem que teve uma vida plena, bem vivida… Desejo que sua memória perdure, como homenagem aos risos francos que das nossas fazem parte…

“Façam o favor de ser felizes!”

cortina

 

 

“Leve, como uma coisa que começasse, a maresia da brisa pairou sobre o Tejo e espalhou-se sujamente pelos princípios da Baixa. Nauseava frescamente, num torpor frio de mar morto. Senti a vida no estômago, e o olfacto tornou-se-me uma coisa por detrás dos olhos.  Altas, pousavam em nada nuvens ralas, rolos, num cinzento a desmoronar-se para branco falso. A atmosfera era de uma ameaça de céu cobarde, como a de uma trovoada inaudível, feita de ar somente.

Havia estagnação no próprio voo das gaivotas; pareciam coisas mais leves que o ar, deixadas nele por alguém. Nada abafava. A tarde caía num desassossego nosso; o ar refrescava intermitentemente.

Pobres das esperanças que tenho tido, saídas da vida que tenho tido de ter! São como esta hora e este ar, névoas sem névoa, alinhavos rotos de tormenta falsa. Tenho vontade de gritar, para acabar com a paisagem e a meditação. Mas há maresia no meu propósito, e a baixa-mar em mim deixou descoberto o negrume lodoso que está ali fora e não vejo senão pelo cheiro.

Tanta inconsequência em querer bastar-me! Tanta consciência sarcástica das sensações supostas! Tanto enredo da alma com as sensações, dos pensamentos com o ar e o rio, para dizer que me dói a vida no olfacto e na consciência, para não saber dizer, como na frase simples e ampla do livro de Job, “Minha alma está cansada de minha vida!””

 

in Livro do Desassossego, Bernardo Soares ( het.Fernando Pessoa)

 

duvida 

 

Isto  é ou não é discriminação flagrante e abusiva?

“A exclusão é sempre por comportamento de risco, nunca por grupo de risco…” 

 Hum… Será mesmo? É que depois de ler tudo, tive  dúvidas se o senhor não estará  baralho…