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Tag Archives: Devaneios

 

 

De um trago apenas, sorvo o ar que me sopras

Estico a mão, teço a teia e lanço-a a ti

Trepo pelo teu corpo, indiferente aos protestos…

Não me importo!

Emaranho-te no viscoso dos laços e prendo-te!

Sou predadora porque és caça vulnerável…

Sem esforço, alcanço-te…

Mas… não te quero!

nuvens

Por vezes sinto-me assim…

A caminhar em nuvens azuis e brancas sob prados verdes em montes alentejanos…

Só ás vezes…

Qual lirismo romântico, porém estéril, mas que  me suscita altos voos…

cegueira

 

 

Cada vez mais convencida,  que não conhecemos bem as pessoas no prólogo mas nos últimos capítulos, pergunto-me, porque tendencialmente somos tentados a evidenciar o melhor de nós, mascarando ou mesmo escondendo, o nosso lado lunar…

Quando nos apaixonamos, a sedução baralha-nos os sentidos e se a pessoa exercer realmente um fascínio sobre nós, não vislumbramos os detalhes, nem observamos com real discernimento alguns sinais. Eles estão lá, mais ou menos velados, defronte do nosso olhar, prontos para serem reconhecidos… mas… se o click for accionado, não será um olhar mais hábil ou diligente, o detentor da capacidade de enviar um alerta ao cérebro, de forma a evitar o deslumbramento inerente ao encanto que a pessoa nos transmitiu!

O amor não é robótico! O amor não possui dispositivos on-off que possamos utilizar a nosso bel-prazer! O amor não é matéria! O amor não é dirigível!

O amor é psicossomático! O amor é pessoal e intransmissível!  O amor é incontrolável! O amor transcende todas as definições!

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     Soprei a lágrima incandescente que me sucumbia aos poucos

     Rasguei o soneto de sangue que trazia ao peito

     Limpei a música diáfana de falsas auroras vestida

     E agora… enterro a amargura velada, de promessas estreitas!

fragmentos

 

 

Parte-se o bule, derrama-se o líquido, inala-se a fragrância que ferve e limpam-se os fragmentos quentes espalhados no ocaso.

No alvor, fita-se o brilho de uma ametista em bruto e inicia-se o arrife no trilho difícil que se avizinha.

Tropeçando aqui e ali, avança-se hesitante na sombra do bem e do mal, colhendo suores cansados e risos perdidos.

Depois de encetada a caminhada numa vereda estreita, não há recuo passível de se considerar; ou se segue incólume de pensamentos trôpegos e sem vigor ou, a silhueta de um plano tangível mancha o percurso, oferecendo angústias ao indolente peregrino.

zen

 

“É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver.”

Gabriel Garcia Marquez

 

vento1

 

 

…………

 

 

 

De repente do riso fez-se o pranto
silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes