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Tag Archives: Sentir

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Quatro meses depois de partires…

Continuas presente!

Dizer-te adeus  não acalma a dor nem as saudades

Fazes-me falta…

 

 

“Eu te amo porque te amo
não precisa ser amante
e nem sempre sabe sê-lo
Eu te amo porque te amo
Amor é estado de graça
e com amor não se paga
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo
Amor é primo da morte
e da morte vencedor
Por mais que o matem(e matam)
a cada instante de amor.
       
Carlos Drummond de Andrade

Pintura de Salvador Dali, editada a preto e branco

 

” “Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!”

José Régio

 

 

*Coração em crioulo

 

180º

 

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

Pablo Neruda

Rua Sésamo

 

 

A Rua Sésamo faz  anos!

O Poupas e C& da minha infância, cujas aventuras acompanhava religiosamente, estão de parabéns! 

Já um pouco remota na minha memória, esta noticía trouxe-me, no entanto, um doce revivalismo…

saudade

… que tenho de ti?!