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Category Archives: Devaneios

ying yang

 

 

Há pessoas, que deviam ser admoestadas, por conduzirem a vida com excesso de velocidade!

Há outras, que mereciam uma coima, por quase adormecerem ao volante da vida…

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… E os olhos pousam nos recantos escondidos da alma

 E a alma molha-se na chuva outonal, rodopiando e erguendo a face nua

 E a face vira-se e escuta o choro lânguido dos passos que se arrastam

E os passos acuam no sublime caminho do pensamento

E o pensamento livre, fustiga os sentidos e desvanece as exéquias do carácter…

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“Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
– é tão vulgar que nos cansa –
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
– a morte é branda e letal –
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
– Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
– Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!”

Ary dos Santos

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“A esperança e a ilusão são provas do coração. Valem por si. Feliz de quem tem a coragem e imaginação suficientes para se iludir. Raios partam a cobardia vigente de quem tem tanto medo de se desiludir que se coíbe, logo à partida, de acreditar no que não esteja comprovado. Como no amor: corre-se o risco de falhar, de tudo perder, de sofrer. Mas que importa isso…se corre-se o risco de tudo conseguir ganhar? “

Excerto de ‘esperar’, MEC

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Quanta raiva se poderá sentir sem maltratar a nossa índole?

 

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…………

 

 

 

De repente do riso fez-se o pranto
silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes

 

Hey Tom
Do you know for how long I’ve been running to?
It’s time to go home
To rise the sun, to bring the truth
You want to make me cry
You want to watch me die
But you don’t have the strength
So come on, run with me
I wanna set you free
I need you to be strong

Somebody ask your name
It could be Jack or Jane
If you don’t have the clue
I’ll tell you what to do

Hey Tom
Do you know for how long am I loving you?
It’s time to move on
To give my heart to something new
I want to make you smile
I want to close your eyes
But I don’t have the strength
So come on, run with me
I wanna set you free
I need you to…

Tom and Jack and Jane in love
They haven’t enough in time to break
Jane and Jack and Tom will back
You hope you’re strong to forget
Jack and Tom I’ll make you strong
Tom and Jane where is your strength
Leave me, feed me, love me, want me
Take me to another place

Somebody ask your name
It could be Jack or Jane
If you don’t have the clue
I’ll tell you what to do

Somebody ask your name
It could be Jack or Jane
If you don’t have the clue
I’ll tell you what to do

 

 

 

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Falham-me as forças,

Falta-me o ar,

Ocorre-me um choro estéril e pálido…

Agarro-me com força para não pender, mas dobro os joelhos de cansaço.

Sinto a alma aos tombos e o coração em desalinho

Na mente… feras e monstros em voragem constante

Nos braços carrego o mundo e, os ombros lassos curvam insípidos…

Durante anos dormi á sombra… Hibernei numa caverna escura, com abnegação e lá permaneci…

Embrulhei-me na estupidez de me esquecer de mim, supri todas a falhas com a desculpa de não ser capaz, dizendo claramente que era mais forte que eu! Mais forte que a minha essência…

Como é que isso aconteceu? Quando aconteceu? Onde estava eu que não vi?

Hoje olho para trás e não percebo… Procuro explicar e não consigo!

Onde andei eu, este tempo todo? Onde me escondi? …

Se gritar bem alto, será que me ouço?…

O resgate de mim, não admite mais delongas, a natureza é mesmo assim…urge!

O vício dissipa-se numa aurora de açucenas cautelosas…

 O corpo despoja-se da mortalha fria e, enfrenta a tempestade…

Agora é tempo de redenção! Busco o vigor e a força escondidos, carrego-os nos ombros e estendo-os ao sol… Esse mesmo sol que me sujeitou à sombra, agora empresta-me esperanças diáfanas…

Vou tomar caipirinhas com os pés debaixo de água! Vou sacudir os cabelos na brisa do mar… Vou estender-me na relva como se não houvesse amanhã e trepar ao cume sem olhar para trás…

Vou entrar na caverna, erigir meu bastão de vontades e… ser feliz noutro destino qualquer…

… E o Grito do Ipiranga chegou!…

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Sou apaixonada por arquitecturas antigas …

 

Quando contemplo uma velha casa apetece-me entrar, explorar, desenhar os seus contornos e conceber cenários…

Adoro casas tipo coloniais, com alpendres extensos, acolhedores, que convidam a preguiça a sentar-se…

Gosto de apreciar as janelas emolduradas por pedras gastas, e imaginar rostos espreitando o entardecer…

Olho os seus jardins nus e tento voltar atrás… numa pintura preto e branco fantasio-os relvados, floridos e vibrantes…

 

Salto os muros altos da minha imaginação, percorro caminhos de folhas secas e invariavelmente projecto!

Desenho com fervor reconstruções, tapo frestas, paredes e vidros partidos e voo por telhados novos… Coloco a mobília no sítio, e um cheiro a café no ar…

 

Admiro a sorrir o desejo que fabrico, e nem percebo que, como a areia fina da praia, me cai por entre os dedos das mãos…  

Sem lamentos nem arrependimentos, agarro no lápis que a utopia me emprestou e guardo-o no bolso…

Sei que irei precisar dos seus riscos tortos no futuro…

 

 

 

 

 

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Sensações avulsas

Constantes ou…

Volúveis

Apelos externos, possantes, aliados

Alguém diz “crê”! E eu creio!

Creio ser capaz

E serei!

 

Fui Ente errante,

Residente da utopia

Crente

Entorpecido…

 

De quimeras me alimentei

Sorvi com fervor as palavras

Usurpei-as,

Tornando-as minhas!

 

Agora, a neblina dissipa-se…

O despertar surge!

E, a mágoa matinal

De mansinho me acerca

 

Espreito…

Nada vejo!

Luz, mapas ou tesouros!

 

No escuro procuro-me

E nada vejo!

Fulgores, caminhos ou graças!

 

Não obstante, Irei!

Porque aqui não posso ficar!

 

 

 

 

 

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A vontade dúbia que me arrasta,

A inércia que me amarra,

São guerras que se travam…

São orgias avulsas descontroladas…

 

Os conflitos de sentimentos que me assolam, de quando em vez, após uma análise profunda e à posteriori, não passam de hélices que ceifam o ar ao acaso…  São emoções castradoras, que me inibem e, me empurram em simultâneo…  São sombras e são o sol, são a noite e o dia, são Deus e o Diabo…

Querer saber o que fazer a seguir, querer decidir com coerência e discernimento, querer dormir sem turbulência, querer respirar livremente…

Frases soltas… tão soltas, como estes devaneios sem princípio nem fim…

Pensamentos livres… tão livres como sair á rua e, absorver o vento de uma só vez…

Vontade de ser feliz!…

Limpar o pó de anos partidos…

Qual Fénix, renascer das cinzas…

 

 

 

Obs.: Talvez um dia, daqui a muito, muito tempo, consiga dizer o que estas linhas escondem de uma forma clara e coerente… Talvez um dia, estas linhas façam sentido…

 

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De cigarro na mão, caminho por uma estrada velha, trajada com folhas de Outono

Óculos de sol ao peito (recorro a eles um pouco mais à frente, quando o sol me ofusca os pensamentos)

Pouso o meu corpo cansado, na sombra de um carvalho centenário e, aguardo pela companhia, que me traz um velho amigo

De manta na mão ele chega! Traz memórias na ponta da língua e, falamos de temas mornos, cobiçando a preguiça

Entregamo-nos à inércia…  

Os sons das cigarras apelam o nosso despertar

Fumo mais um cigarro e, reparo que o fumo se mistura, com a melodia do entardecer

Arranco a melancolia  do peito e, permaneço em pleno ócio, à sombra de um carvalho velho

                               

                                ——————————————–

Gosto de conversas que me estimulem intelectualmente, eloquentes, enfáticas, carregadinhas de emoção…

Gosto que me obriguem a retorquir, com o mesmo arrebatamento.

Gosto de mesas de café, repletas de argumentos, de quem sabe do que fala, xícaras de chá que se vão esvaziando, à medida que a conversa se enche de riquezas partilhadas.

 Faz-me impressão quem fala do que não sabe, utilizando retóricas ocas,  baseadas certamente em discursos empolados, de quem um dia falou com conhecimento… Quando assim é, remeto-me ao silêncio, muitas vezes, ruminando as ideias e, evitando verbalizar o que me vai na alma, até para evitar ofender ou melindrar tão loquaz interlocutor…

Não tenho pretensão de dizer, que, sou mais capaz que outros para defender as matérias que saltam para discussão, muito pelo contrário… Apenas deixar claro, que quando o tema não é familiar, o silêncio é mais construtivo do que um rol de incongruências,  ventiladas por um pseudo-conhecedor…

 Gosto de conversas á sombra…